“Dos sacerdotes, os fiéis esperam somente uma coisa: que sejam especialistas na promoção do encontro do homem com Deus. Cristo precisa de sacerdotes que sejam maduros, vigorosos, capazes de cultivar uma verdadeira paternidade espiritual”. Bento XVI
Está acontecendo, na sala Pio XI na Pontifícia Universidade Lateranense em Roma uma exposição intitulada “I sacerdoti e l’immaginario cinematografico” (Os sacerdotes e o imaginário cinematográfico), até o dia 22 de junho. A mostra é dirigida por D. Dario Edoardo Viganò. Na oportunidade da mostra foi escolhido como o melhor interprete de sacerdote nas telonas, o ator italiano Carlo Verdone que já interpretou inúmeras vezes o papel de sacerdote em sua longa carreira artística.
Alguns filmes apresentados na mostra são pouco conhecidos no Brasil, mas de grande sucesso na Itália e na Europa como um todo, a exemplo de Roma città aperta (1945) dirigido por Rossellini e o muito famoso don Camillo. Sem esquecer a adaptação cinematográfica do famoso romance de Georges Bernanos “Le journal d’un curé de campagne”, dirigida por Robert Bresson e interpretado por Claude Laydu (1951).
Contudo, a imagem cinematográfica referida ao Padre não foi sempre uma imagem levada às telonas em forma meditativa e reflexiva como nestas grandes obras, algumas de grande envergadura literária.
Conflitos de fé podem ser reconhecidos na imagem do Padre Frank Moore (Ed Harris) no filme “O terceiro milagre” (The third miracle, 1999) dirigido por A. Holland. Em luta contra espíritos imundos, o inesquecível Padre Merrin do filme “O Exorcista” (The Exorcist, 1973, ganhador de dois Oscar e quatro Globos de Ouro) interpretado por Max Van Sydon.
Tem ainda os que retratam padres em conflitos, peculiares, de sexualidade como “O Padre” (Priest, 1994) ou ainda, o “O crime do Padre Amaro” (El crime del Padre Amaro, 2002) dirigido por Carlos Carrera. E finalmente, o caricaturado padre bonachão do “Alto da Compadecida” de Ariano Suassuna, interpretado por Rogério Cardoso no papel de Padre João, na adaptação dirigida por Guel Arraes no ano 2000.
Mais recentemente, o filme Dúvida (Doubt, 2008) no qual Philip Hoffman interpreta o excelente padre Flynn, trás uma imagem, não obstante o polêmico tema abordado, menos caricaturada e talvez abra espaços mais amplos na moderna imagem cinematográfica acerca dos padres.
Os tempos atuais oferecem bons temas que vão da pedofilia, à moderna luta social e ao martírio em crescimento, particularmente, fora do Ocidente.
Estas imagens cinematográficas carregam consigo os dramas e conflitos que acompanham a imagem do homem moderno. Esta crise perpassa, sobretudo, a questão da identidade: das demandas mais simples àquelas mais complexas como a sexualidade, por exemplo. Não está descartada uma certa ordem ideológica que, aproveitando-se da potente máquina do entretenimento, tenta construir à força (neste caso mais mercadológica que reflexiva) não só sua idéia de igreja como também aquela do sacerdote ideal para os tempos modernos: conturbado, duvidoso, alheio a norma moral, em crise institucional e conflitivo como consigo e com o seu tempo.
A melhor imagem para o Vaticano? Aquela da Presbyterorum ordinis, o Decreto conciliar especifico sobre o ministério sacerdotal. Entre outras ricas linhas de reflexão, podemos ter em conta uma breve citação no n. 15:
“Entre as virtudes que, sobretudo se requerem no ministério dos presbíteros, deve nomear-se aquela disposição de espírito pela qual estão sempre prontos não a procurar a própria vontade, mas a vontade d’Aquele que os enviou. A obra divina, para que o Espírito Santo os assumiu, transcende todas as forças e a sabedoria humana, pois «Deus escolheu o que há de fraco no mundo, para confundir os fortes» (l Cor. 1,27). Consciente, portanto, da própria fraqueza, o verdadeiro ministro de Cristo trabalha na humildade, examinando o que é agradável a Deus, e, como que assumido pelo Espírito, é conduzido pela vontade d’Aquele que quer que todos os homens se salvem”.
Indubitavelmente, o imaginário cinematográfico sobre os Padres continuará polêmico. Espera-se, contudo, que os sacerdotes possam delinear a própria imagem, naquilo que lhes compete, naquela de Cristo: “eu sou o bom pastor” (Jo 10,11). Que assim seja!
Maiores informações sobre a Mostra: Pontificia Università Lateranense

QUERIDO ACHEI INTERESSANTE AS INFORMAÇÕES TRANSMITIDA NESTA POSTAGEM, PARABÉNS. MUITA CULTURA, JÁ GOSTO. OBRIGADO!
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