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INSTITUTO DE TEOLOGIA DA UCSAL SEMANA ACADÊMICA 2013

16 de maio de 2013

UcsalSemana Acadêmica de Filosofia e Teologia

De 21 a 24 de maio

Universidade Católica do Salvador, Campus Federação (Entrada franca)

21.05 = TERÇA-FEIRA

8h. CONFERÊNCIA PRINCIPAL DE ABERTURA

D. Murilo (Grão Chanceler): O que é a fé para a Igreja Católica?

9.30: MESA REDONDA:

O contexto histórico do desenvolvimento da fé: existiu uma melhor época para fé? (Mesa redonda)

Debatedores:

Prof. Cândido Costa e Silva (Historiador/UCSal).

Profa. Celia Maria (História da Arte/UFBA)

Prof. Pe. Mauricio Ferreira, (UCSal).

22.05 = QUARTA-FEIRA

9h CONFERÊNCIA: Rabino Uri Lam (Sociedade Israelita da Bahia) As raízes judaicas da fé.

10.30 Mesa Redonda: Contemporaneidade e credibilidade da fé.

Prof. Dr. Paulo Vasconcelos, Filosofia/UCSal.

Profa. Mst. Maria de Fátima. Filosofia, UCSal

Prof. Mst, Luis Pascal, Filosofia, Sourbonne/UCSal.

23.05 = QUINTA-FEIRA

8h: Oficina de Liturgia: A Liturgia do Sacramento do Batismo: Pe José Raimundo Melo (UCSal)

10h: Mesa Redonda: Doença e Cura: as delimitações e transversalidades entre a fé a medicina.

Debatedores:

Prof. Dr. José Carlos, Psiquiatra (UCSal);

Pro. Mst. Maria Helena, Enfermagem (UCSal)

Pe. Adilton Pinto Lopes, Biologia e Teologia (UCSal).

24.05 = SEXTA-FEIRA

CONFERÊNCIA PRINCIPAL: 8h D. Giovanni Crippa: A Fé na contemporaneidade: ambiguidades e oportunidades

10.30 Mesa Redonda: Os Direitos da fé e a fé no Direito.

Dr. Deivid Carvalho Lorenzo, Faculdade Mauricio de Nassau

Dr. Eldo Pereira, Advogado.

Dr. Antônio C. Figueiredo, Advogado Arquidiocese de Salvador.

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Ad Limina Apostolorum: Bento XVI aos Bispos do Regional CNBB Ne III

12 de setembro de 2010

Senhor Cardeal,

Amados Arcebispos e Bispos do Brasil,

Saúdo calorosamente a todos vós, por ocasião da vossa visita ad Limina a Roma, aonde viestes reforçar os vossos vínculos de comunhão fraterna com o Sucessor de Pedro e por ele serdes animados na condução do rebanho de Cristo. Agradeço as amáveis palavras que Dom Ceslau Stanula, Bispo de Itabuna, dirigiu-me em vosso nome, e vos asseguro as minhas orações pelas vossas intenções e pelo amado povo nordestino, do vosso regional Nordeste 3.

Há mais de cinco séculos, justamente na vossa região, se celebrava a primeira Missa no Brasil, tornando realmente presente o Corpo e o Sangue de Cristo para a santificação dos homens e das mulheres desta bendita nação que nasceu sob os auspícios da Santa Cruz. Era a primeira vez que o Evangelho de Cristo vinha a ser proclamado a este povo, iluminando a sua vida diária. Esta ação evangelizadora da Igreja Católica foi e continua sendo fundamental na constituição da identidade do povo brasileiro caracterizada pela convivência harmônica entre pessoas vindas de diferentes regiões e culturas. Porém, ainda que os valores da fé católica tenham moldado o coração e o espírito brasileiros, hoje se observa uma crescente influência de novos elementos na sociedade, que há algumas décadas eram-lhe praticamente alheios. Isso provoca um consistente abandono de muitos católicos da vida eclesial ou mesmo da Igreja, enquanto no panorama religioso do Brasil, se assiste à rápida expansão de comunidades evangélicas e neo-pentecostais.

Em certo sentido, as razões que estão na raiz do êxito destes grupos são um sinal da difundida sede de Deus entre o vosso povo. É também um indício de uma evangelização, a nível pessoal, às vezes superficial; de fato, os batizados não suficientemente evangelizados são facilmente influenciáveis, pois possuem uma fé fragilizada e muitas vezes baseada num devocionismo ingênuo, embora, como disse, conservem uma religiosidade inata. Diante deste quadro emerge, por um lado, a clara necessidade que a Igreja católica no Brasil se empenhe numa nova evangelização que não poupe esforços na busca de católicos afastados bem como daquelas pessoas que pouco ou nada conhecem sobre a mensagem evangélica, conduzindo-os a um encontro pessoal com Jesus Cristo, vivo e operante na sua Igreja. Por outro lado, com o crescimento de novos grupos que se dizem seguidores de Cristo, ainda que divididos em diversas comunidades e confissões, faz-se mais imperioso, da parte dos pastores católicos, o compromisso de estabelecer pontes de contato através de um sadio diálogo ecumênico na verdade.

Tal esforço é necessário, antes de qualquer coisa, porque a divisão entre os cristãos está em contraste com a vontade do Senhor de que «todos sejam um» (Jo 17,21). Além disso, a falta de unidade é causa de escândalo que acaba por minar a credibilidade da mensagem cristã proclamada na sociedade. E hoje, a sua proclamação é talvez ainda mais necessária do que há alguns anos atrás, pois, como bem demonstram os vossos relatórios, mesmo nas pequenas cidades do interior do Brasil, observa-se uma crescente influência negativa do relativismo intelectual e moral na vida das pessoas.

Não são poucos os obstáculos que a busca da unidade dos cristãos tem por diante. Primeiramente, deve-se rejeitar uma visão errônea do ecumenismo, que induz a um certo indiferentismo doutrinal que procura nivelar, num irenismo acrítico, todas as “opiniões” numa espécie de relativismo eclesiológico. Paralelamente a isto está o desafio da multiplicação incessante de novos grupos cristãos, alguns deles fazendo uso de um proselitismo agressivo, o que mostra como a paisagem do ecumenismo seja ainda muito diferenciada e confusa. Em tal contexto – como afirmei em 2007, na Catedral da Sé em São Paulo, no inesquecível encontro que tive convosco, bispos brasileiros – «é indispensável uma boa formação histórica e doutrinal, que habilite ao necessário discernimento e ajude a entender a identidade específica de cada uma das comunidades, os elementos que dividem e aqueles que ajudam no caminho da construção da unidade. O grande campo comum de colaboração devia ser a defesa dos fundamentais valores morais, transmitidos pela tradição bíblica, contra a sua destruição numa cultura relativista e consumista; mais ainda, a fé em Deus criador e em Jesus Cristo, seu Filho encarnado» (n. 6). Por essa razão, vos incentivo a prosseguir dando passos positivos nesta direção, como é o caso do diálogo com as igrejas e comunidades eclesiais pertencentes ao Conselho Nacional das Igrejas Cristãs, que com iniciativas como a Campanha da Fraternidade Ecumênica ajudam a promover os valores do Evangelho na sociedade brasileira.

Prezados irmãos, o diálogo entre os cristãos é um imperativo do tempo presente e uma opção irreversível da Igreja. Entretanto, como lembra o Concílio Vaticano II, o coração de todos os esforços em prol da unidade há de ser a oração, a conversão e a santificação da vida (cf. Unitatis redintegratio, 8). É o Senhor quem doa a unidade, esta não é uma criação dos homens; aos pastores lhes corresponde a obediência à vontade do Senhor, promovendo iniciativas concretas, livres de qualquer reducionismo conformista, mas realizadas com sinceridade e realismo, com paciência e perseverança que brotam da fé na ação providencial do Espírito Santo.

Queridos e venerados irmãos, procurei evidenciar brevemente neste nosso encontro alguns aspectos do grande desafio do ecumenismo confiado à vossa solicitude apostólica. Ao despedir-me de vós, reafirmo uma vez mais a minha estima e a certeza das minhas orações por todos vós e pelas vossas dioceses. De modo particular, quero aqui renovar a expressão da minha solidariedade paterna aos fiéis da diocese de Barreiras, recentemente privados da guia do seu primeiro e zeloso pastor Dom Ricardo José Weberberger, que partiu para a casa do Pai, meta dos passos de todos nós. Que repouse em paz! Invocando a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, concedo a cada um de vós, aos sacerdotes, aos religiosos, às religiosas, aos seminaristas, aos catequistas e a todo povo a vós confiado uma afetuosa Bênção Apostólica.

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Será que eles entenderam (realmente) José Saramago?

18 de junho de 2010

Faleceu, nesta sexta-feira 18 de junho, um dos maiores nomes da literatura moderna e, indubitavelmente, o maior e único em língua portuguesa a receber o Nobel de literatura (1998): José Saramago. Ele representa uma das mentes mais brilhantes e seu nome ficou ainda mais popularmente conhecido no Brasil, justamente depois de receber o Nobel de literatura e mais ainda com a adaptação ao cinema (dirigido por Fernando Meirelles) de sua famosa obra “Ensaio sobre a cegueira” em 2008.

José Saramago era também comunista e a partir desta adesão conhecido por suas críticas ácidas a fé cristã e a Igreja Católica. Elaborações mais refinadas de suas críticas e posicionamentos podem ser bem reconhecidos nas obras “O Evangelho segundo Jesus Cristo” (1991) e também em “Caim” (2009). Até aqui tudo bem. Não é de hoje que as opiniões acerca da Igreja Católica cumpram uma longa trajetória – por vezes cíclica – que vai da mais sublime admiração até aquela mais dura e ríspida avaliação. Ambas, entre outros, tem o mérito de corresponder a um ângulo da verdade bem como são sinais da justa liberdade, pessoal e institucional, de fazer ecoar o próprio pensamento.

Tanto José Saramago como a Igreja e outros homens e mulheres de cultura expressam publicamente suas opiniões por meio de entrevistas, publicação de livros, filmes aliados aos meios disponíveis pelas tecnologias de informação como a internet. Estas opiniões, uma vez colocadas em público, estão disponíveis a serem criticadas, aceitas, compreendidas ou não. E isso é mais um espaço da liberdade, mesmo quando sujeita a certos “lugares comuns”.

Obviamente, esta dinâmica não está passível nem ausente da influencia dos medíocres. Os medíocres nasceram do ventre de mãe ignorância e infelizmente ocupam cadeiras cativas entre os intelectuais, os liberalistas, os comunistas e também entre os católicos. Eles são como pragas e parasitas: se aninham e se alimentam, infelizmente, da virtude dos sábios convertendo o sumo da sabedoria no amargo fel da estupidez.

Um exemplo? Quem escuta as notícias sobre a morte de Saramago e o contraponto imediato (em algumas reportagens) entre suas opiniões e a fé da Igreja pode ser induzido a aceitar e aplaudir o medíocre monólogo de uma modernidade encurralada na unanimidade, tão bem representado na mídia contemporânea. Contudo, os medíocres esquecem que lá no poço da sabedoria e nos modernos areópagos, tanto Saramago como os mais sinceros cristãos estão diante do mesmo dilema: dar razões do que acreditam (…).

Um olhar mais atendo pode, de fato, reconhecer que em certas reportagens emerge uma superficialidade midiática que está virando corriqueira: a sociedade está, imediatamente, dividida no duelo entre os bons e os maus. Todavia, é justamente neste falso duelo (ou duelo dos covardes) que os medíocres se encontram. Aqui os medíocres transvestidos de radicais (cristãos e comunistas) dividem a mesma mesa: a intolerância que ajuda certos setores da imprensa a viver de escândalos, puritanismo, venda de jornais e fartos espaços publicitários.

Graças a Deus a morte de um grande autor não significa o fim das suas inspirações. Graças a Deus seus leitores e críticos podem usufruir da liberdade de respeitá-los e admirá-los sem, obrigatoriamente, abraçar suas opiniões e polêmicas. Que assim seja!

Clique aqui para a Nota do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura, organismo da Conferencia Episcopal Portuguesa.

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Qual a imagem cinematográfica do sacerdote mais amada no Vaticano?

7 de junho de 2010

“Dos sacerdotes, os fiéis esperam somente uma coisa: que sejam especialistas na promoção do encontro do homem com Deus. Cristo precisa de sacerdotes que sejam maduros, vigorosos, capazes de cultivar uma verdadeira paternidade espiritual”. Bento XVI

Está acontecendo, na sala Pio XI na Pontifícia Universidade Lateranense em Roma uma exposição intitulada “I sacerdoti e l’immaginario cinematografico” (Os sacerdotes e o imaginário cinematográfico), até o dia 22 de junho. A mostra é dirigida por D. Dario Edoardo Viganò. Na oportunidade da mostra foi escolhido como o melhor interprete de sacerdote nas telonas, o ator italiano Carlo Verdone que já interpretou inúmeras vezes o papel de sacerdote em sua longa carreira artística.

Alguns filmes apresentados na mostra são pouco conhecidos no Brasil, mas de grande sucesso na Itália e na Europa como um todo, a exemplo de Roma città aperta (1945) dirigido por Rossellini e o muito famoso don Camillo. Sem esquecer a adaptação cinematográfica do famoso romance de Georges Bernanos “Le journal d’un curé de campagne”, dirigida por Robert Bresson e interpretado por Claude Laydu (1951).

Contudo, a imagem cinematográfica referida ao Padre não foi sempre uma imagem levada às telonas em forma meditativa e reflexiva como nestas grandes obras, algumas de grande envergadura literária.

Conflitos de fé podem ser reconhecidos na imagem do Padre Frank Moore (Ed Harris) no filme “O terceiro milagre” (The third miracle, 1999) dirigido por A. Holland. Em luta contra espíritos imundos, o inesquecível Padre Merrin do filme “O Exorcista” (The Exorcist, 1973, ganhador de dois Oscar e quatro Globos de Ouro) interpretado por Max Van Sydon.

Tem ainda os que retratam padres em conflitos, peculiares, de sexualidade como “O Padre” (Priest, 1994) ou ainda, o “O crime do Padre Amaro” (El crime del Padre Amaro, 2002) dirigido por Carlos Carrera. E finalmente, o caricaturado padre bonachão do “Alto da Compadecida” de Ariano Suassuna, interpretado por Rogério Cardoso no papel de Padre João, na adaptação dirigida por Guel Arraes no ano 2000.

Mais recentemente, o filme Dúvida (Doubt, 2008) no qual Philip Hoffman interpreta o excelente padre Flynn, trás uma imagem, não obstante o polêmico tema abordado, menos caricaturada e talvez abra espaços mais amplos na moderna imagem cinematográfica acerca dos padres.

Os tempos atuais oferecem bons temas que vão da pedofilia, à moderna luta social e ao martírio em crescimento, particularmente, fora do Ocidente.

Estas imagens cinematográficas carregam consigo os dramas e conflitos que acompanham a imagem do homem moderno. Esta crise perpassa, sobretudo, a questão da identidade: das demandas mais simples àquelas mais complexas como a sexualidade, por exemplo. Não está descartada uma certa ordem ideológica que, aproveitando-se da potente máquina do entretenimento, tenta construir à força (neste caso mais mercadológica que reflexiva) não só sua idéia de igreja como também aquela do sacerdote ideal para os tempos modernos: conturbado, duvidoso, alheio a norma moral, em crise institucional e conflitivo como consigo e com o seu tempo.

A melhor imagem para o Vaticano? Aquela da Presbyterorum ordinis, o Decreto conciliar especifico sobre o ministério sacerdotal. Entre outras ricas linhas de reflexão, podemos ter em conta uma breve citação no n. 15:

Entre as virtudes que, sobretudo se requerem no ministério dos presbíteros, deve nomear-se aquela disposição de espírito pela qual estão sempre prontos não a procurar a própria vontade, mas a vontade d’Aquele que os enviou. A obra divina, para que o Espírito Santo os assumiu, transcende todas as forças e a sabedoria humana, pois «Deus escolheu o que há de fraco no mundo, para confundir os fortes» (l Cor. 1,27). Consciente, portanto, da própria fraqueza, o verdadeiro ministro de Cristo trabalha na humildade, examinando o que é agradável a Deus, e, como que assumido pelo Espírito, é conduzido pela vontade d’Aquele que quer que todos os homens se salvem”.

Indubitavelmente, o imaginário cinematográfico sobre os Padres continuará polêmico. Espera-se, contudo, que os sacerdotes possam delinear a própria imagem, naquilo que lhes compete, naquela de Cristo: “eu sou o bom pastor” (Jo 10,11). Que assim seja!

Maiores informações sobre a Mostra: Pontificia Università Lateranense

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Oriente e Ocidente: dois pulmões para a Igreja e para o Mundo.

6 de junho de 2010

Depois de todos os casos de violência, não perder a paciência, não perder o valor, não perder a longanimidade de voltar a começar; criar estas disposições do coração para começar sempre de novo, na certeza de que podemos ir adiante, que podemos chegar à paz, que a violência não é a solução, mas sim a paciência do bem. Criar esta disposição me parece o principal trabalho que o Vaticano, seus órgãos e o Papa podem fazer. Bento XVI, visita apostólica à Ilha de Chipre.

O Papa Bento XVI se encontra em viagem apostólica, desta vez à Ilha de Chipre, onde casa mãe dos católicos maronitas. A visita começou no dia 04 e termina hoje, 06 de junho. Formalmente, a ilha de Chipre é um país sobrerano, mas na prática, desde 1974 a causa da invasão turca, é uma soberania forçosamente dividida entre o Chipre grego (cristão) e a porção turca (islã). A capital dos dois lados é a cidade de Nicósia, também esta dividida. Muitos maronitas, em virtude desta invasão, foram obrigados a transferir-se para o sul da ilha abandonando casas e famílias, alimentando ressentimentos e rancores até os dias atuais.

E assim que, mais uma vez, o Papa Bento XVI se vê no meio de sinais fortes e complexos: o assassinato de Dom Padovese; o diálogo com o Islã no atual contexto político da região; as antigas e atuais tensões políticas regionais entre Chipre e a Turquia, o êxodo dos cristãos do Oriente-Médio e também da Turquia, o diálogo ecumênico com os ortodoxos e a entrega do documento de trabalho do Sínodo dos Bispos para o Oriente Médio.

A cada um destes temas, o Papa tem buscado refletir a partir do seu lugar religioso: ele é um homem de fé, um pastor em peregrinação e basta. Não obstante seja consciente das expectativas políticas, devidas e indevidas de suas intervenções, o Papa indica sempre o coração, a consciência e a lei moral natural como lugares privilegiados para alimentar a busca da verdade e da paz para uma justa e pacífica convivência em meio às diferenças. Segundo Bento XVI, Chipre se encontra “na encruzilhada de culturas e religiões, junto com histórias gloriosas e antigas, mas que ainda mantêm um impacto forte e visível na vida de seu país”, e no mais, sua “herança espiritual e cultural” deve contribuir para enriquecer toda a Europa.

Citando filósofos como Platão e Aristóteles e outros pensadores cristãos e mulçumanos o Papa falou para os políticos de Chipre. Da luz do Evangelho e da tribuna da filosofia clássica, Bento XVI exortou aquela envergadura moral apta a conduzir com perseverança, sede da verdade e empenho pelo bem comum o bem de todo corpo social com decisões justas.

Ainda no avião, antes de pousar em Chipre, respondendo as perguntas dos repórteres insiste nesta interpretação dos fatos: “Paz em um sentido muito profundo: não é uma afirmação política a nossa atividade religiosa, mas que a paz é uma palavra do coração da fé está no centro do ensinamento paulino (…). Isto continua sendo um mandato permanente, portanto não venho com uma mensagem política, mas com uma mensagem religiosa, que deveria preparar mais as almas para encontrar a abertura pela paz. Estas não são coisas que vem de hoje para amanhã, mas é muito importante não só dar os passos políticos necessários, mas, sobretudo preparar as almas para serem capazes de dar os passos políticos necessários, criar essa abertura interior para a paz, que, ao final, vem da fé em Deus e da convicção de que todos somos filhos de Deus, irmãos e irmãs entre nós”.

É, portanto, a partir deste olhar de fé que Bento XVI pede aos cristãos para não abandonarem o Oriente – Médio, nem tão pouco Chipre a Turquia. O Papa classifica a presença dos cristãos como fundamental, como um sinal de “esperança” e “expressão eloqüente do evangelho da paz” para e região tão marcada por conflitos e tensões religiosas e políticas, além de dificuldades sociais. O ponto de apoio? A cruz de Cristo: “definitivo triunfo do amor de Deus sobre todos os males do mundo”. Que assim seja!

O Espírito que “sopra onde quer” supera as desconfianças!


Dois eventos interessantes. O primeiro testemunha a força da arrogância humana disfarçada de zelo religioso e o segundo, testemunha a força da paz que lança sementes de paz e de esperança até mesmo na terra de ninguém:

Um tema forte para a população de Chipre é aquele da unificação, desejada na forma binacional com equidade política entre as duas comunidades. E foram, talvez, as diferenças relativas a este desejo que causaram a deserção de cinco, entre dezessete metropolitas ortodoxos convidados a participar do almoço organizado pelo arcebispo Chrysostomos em homenagem a visita de Bento XVI. Segundo indiscrições da imprensa, a desistência foi comandada por Anastasios, metropolita di Limassol, que dias antes definiu o Papa como um “herético” que não deveria por os pés em terra ortodoxa.

Bento XVI se colocou disponível para um encontro com as autoridades islâmicas que, contudo, não se fizeram presente. Mas, o Espírito sopra onde quer. Para se encontrar com Bento XVI veio o ancião líder Sufi, o Xeique Mehmet Nazim Adil Al – Haquani, que ultrapassou a linha verde a Turquia chipiotra do resto do país. Acompanhado de alguns dos seus discípulos o Xeique Mehmed Nazim esperou Bento XVI que estava indo para a Paróquia da Santa Cruz localizada na área neutra controlada pela ONU, também conhecida como terra de ninguém. O Papa parou para saudar o Xeique que lhe disse que o esperava sentado porque já era um velho, ao que Bento XVI retribuiu com um sorriso recordando que também ele é já um velho. O Xeique presenteou o Papa com três presentes: um bastão esculpido, uma tabuleta com palavras de paz em árabe esculpidas na madeira e um rosário mulçumano. O Papa o presenteou com uma medalha do seu pontificado. Os dois de abraçaram e prometeram rezar um pelo outro ao final do encontro. Que assim seja!

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Planejamento familiar e aquecimento global

1 de junho de 2010

Planejamento familiar e aquecimento global

Uma preocupante soma…

…e uma ainda mais preocupante ideologia atrás dos números.

Não é de hoje que o tema do aquecimento global tem gerado uma crescente preocupação em diversos países do mundo. Entre tantas, antigas e novas, teorias uma consciência parece ficar cada vez mais clara: a importância do papel da educação. A educação é um passo primário e fundamental na direção de uma consideração ética que contribua e fortaleça o significado e o melhor uso que possamos fazer dos recursos naturais. A educação e a ética implicam o sujeito na comum responsabilidade pelo planeta terra. Juntas – educação e ética – são importantes na superação do dedo apontador e moralista da responsabilidade “dos outros” privilegiando a reflexão sobre as próprias responsabilidades e atitudes pró-ativas no quesito justamente chamado de “educação ético-ambiental”.

Mais recentemente, esta preocupação educacional e pedagógica tem alçado vôos humanísticos e alguns têm falado de “ecologia humana”. Afirma-se que educação e ética dizem respeito ao viver em comum social e que a o bem da natureza implica conjuntamente o respeito à dignidade da pessoa humana. Nesta perspectiva o bem da natureza e o bem da pessoa humana não estão em competição, mas em profícuo diálogo e o planeta terra pode contar com aqueles que estão em melhor condição de assumir o protagonismo ecológico: os seres humanos.

Todavia, não poucos os que ainda hoje, relutam em associar a presença humana sobre a terra a maciça destruição do planeta. Escondidos atrás de eufemismos e de ambigüidades terminológicas alguns grupos e associações se aproveitam de sérias conquistas sociais como o Planejamento Familiar para propagar o pânico moral acerca do inchaço populacional da terra. Este inchaço justificaria assim um rígido controle de natalidade, particularmente nos países ditos pobres e subdesenvolvidos, que são na verdade (construída pelos autores do pânico do inchaço populacional) , os grandes responsáveis pelo reconhecido inchaço populacional.

No blog de Andrea Vialle (ecotendências) no site do Estadão.com uma postagem informa sobre a mais recente campanha da Optimum Population Trust, uma organização filantrópica britânica, que propõe a compensação de carbono não por meio de atividades de explícito cunho (educacional/panfletário/comunitário) ecológico, mas pelo incentivo ao que consideram de controle da natalidade e educação sexual, como sempre, destinada às populações menos favorecidas.

Contudo, esta lógica post malthusiana não passa de fumaça. Seus sustentadores ignoram o fato que embora os países chamados desenvolvidos padeçam de baixos índices de natalidade são, ao mesmo tempo, responsáveis pelas mais graves agressões contra o meio ambiente. E tudo sem comentar a duvidosa adesão ou aberta resistência dos países industrializados ao protocolo de Kyoto. Basta pensar, por exemplo, na excessiva produção de lixo dos mais variados tipos que circulam o mundo atrás de compradores interessados em subprodutos da elite industrial.

De fato, muitos ecologistas e especialistas denunciam que muitos dos prejuízos sofridos pela natureza estão muito mais relacionados com o modelo de vida baseado no alto consumo do que no número de habitantes sobre a terra. Também, muitas perdas se dão pela parca educação ambiental que gera desperdícios, uso indevido e desordenado dos recursos naturais em tantas partes do mundo. E o que dizer de grandes desastres provocados por empresas das mais variadas atividades industriais? O que falar do descaso dos poderes públicos com a reciclagem do lixo, por exemplo? E podemos ainda constatar a baixa formação e demanda ética acerca do futuro do planeta e da responsabilidade moral com as futuras gerações. E as questões ligadas à falta de saneamento básico, educação fundamental e saúde pública? Não são estes grandes e maiores desafios a serem superados no contexto da preservação do planeta como casa de todos? Ou para a Optimum Population Trust não é claro que a o planeta é casa de todos? Estamos atentos. Que assim seja!

Consulte:

Andrea Vialle (ecotendências)

Protocolo de Kyoto

Optimum Population Trust

“Se queres cultivar a paz, preserve a criação”. Mensagem do Papa Bento XVI para o Dia Mundial da Paz de 2010

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Quando a consciência exala aquele bálsamo da criação divina…

1 de junho de 2010

Uma notícia interessante, para quem gosta de história – tanto civil como eclesiástica – e dela tem a paciente virtude de perscrutar seus meandros. Não se trata, porém, de pura curiosidade. Na verdade, é interessante o atual interesse dos historiadores em entender a história não apenas pelos seus protagonistas ou pelos grandes e relevantes fatos repetidos a mecenas nos livros de história. A história é também construída de particulares de grande relevo, mesmo quando parece desinteressante à massa impressa de livros e de informações desconexas e frias que não induzem a uma leitura pessoal e crítica dos fatos históricos.

Foi publicado hoje, primeiro de junho, no jornal italiano – on line – corriere della sera (link ao final deste post) um artigo assinado por Marco Gasperetti. O artigo apresenta uma pesquisa, tornada um livro do professor Lorenzo Greco, da Universidade de Pisa, Itália. Professor Greco está por publicar um livro sobre Camillo Benso di Cavour, na ocasião dos 150 anos da unificação da Itália (Unità d’Italia). Tudo corriqueiro até vir a tona um humilde frade franciscano de nome Giacomo da Poirino (nome civil Giacomo Marrocco). Frei Poirino foi punido, suspenso a divinis, ameaçado pelo Tribunal da Inquisição e reduzido ao estado laico por ter ministrado a absolvição sacramental ao famoso e polêmico Conde Cavour. Mas, o que tem de anormal neste fato? São tantos os sacerdotes que já confessaram importantes personalidades históricas. É que este simples Frei atendeu um pedido de Cavour de ser assistido sacramentalmente na hora de sua morte. A assim ocorreu e Cavour antes de morrer recebeu a graça sacramental da penitência.  Para quem não se recorda das aulas de história, o conde Camillo Cavour (1810-1861) foi um industrial de sucesso que se tornou um político também de não menos sucesso, chegando a ocupar duas vezes o posto de Primeiro Ministro. Foi um dos principais articuladores da unificação da Itália e por essa razão entrou em conflito direto com a Igreja a causa da sua oposição e invasão dos Estados pontifícios. Era dono de posições firmes e rígidas, não gozava da simpatia nem da Direita nem da Esquerda e teve claras posições anticlericais. Defender a unidade da Itália significava marchar contra as pretensões de Pio IX de manter o Estado Pontifício, à época ameaçado justamente pelas tenções a favor da unificação da península. Mas, isso não é ainda o mais interessante.

O mais impressionante é a firmeza deste humilde frade em permanecer fiel a consciência moral não só individual, mas do próprio ministério sacerdotal. Mesmo diante de pressões políticas, daquelas provindas do ambiente social e eclesial e, sobretudo, de Pio IX em pessoa, ele se mantêm fiel, em consciência, à imitação do Cristo misericordioso. Sua consciência antes mesmo de temer o poder dos homens era fiel temente de Deus e de sua lei de misericórdia e perdão a quem quer que seja. O que podemos pensar? Que se trata de história de um desobediente? De um frade falsamente piedoso? Bem, não conheço a vida do frade e nem tive acesso a obra em questão. Talvez ele seja mesmo um pouco de tudo isso. Contudo, nem a dúvida acerca de sua personalidade afasta a percepção de um importante sinal sociológico e teológico: a medida de Cristo como pilar normativo superior da consciência testemunhada pela caridade sacerdotal. Num tempo onde a consciência do clero está assim desgastada a causa da virulência de uma minoria, recordar uma nobre consciência atenta aos ditames primários de seu serviço ministerial e sabê-la sofredora de punições pela sua fidelidade à misericórdia divina… é um bálsamo. Que assim seja!

Para ler a reportagem em italiano acesse corriere della sera

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